domingo, 28 de maio de 2017

Europa



À PROCURA DE UM ZEUS QUE NOS SALVE





Q rapto da Europa de Rubens
(cópia de Tiziano)



                Europa era uma linda princesa fenícia. Como ainda não chegara à idade de casar, vivia com 
os pais num magnífico palácio e tinha por hábito dar longos passeios com as amigas nos prados e nos
 bosques. Certo dia, quando apanhava flores junto da foz de um rio. foi avistada por Zeus que se
 debruçava lá do Olimpo observando os mortais. Fascinado com tanta formosura, decidiu raptá-la. Para 
evitar os ciumes da sua mulher, quis disfarçar-se. Nada mais fácil para quem tem poderes 
sobrenaturais! Tomou a forma de um touro. Um belo touro castanho com um círculo prateado a enfeitar 
a testa. Desceu então ao prado e deitou-se aos pés da Europa. Ela ficou encantada por ver ali um 
animal tão manso, de pelo sedoso e olhar meigo. Primeiro afagou-o, depois sentou-se-lhe no dorso e... 
o touro disparou de imediato a voar por cima do oceano. A pobre princesa ficou assustadíssima, mas 
não tardou a perceber que o raptor só podia ser um deus disfarçado, pois entre as ondas emergiam 
peixes, tritões e sereias a acenar-lhes. Até Posídon apareceu agitando o seu tridente.
Muito chorosa, Europa implorou que não a abandonasse num lugar ermo. Zeus consolou-a, mostrou-se 
carinhoso, prometeu levá-la para um sítio lindo que ele conhecia fora da Ásia. Prometeu e cumpriu. 
Instalaram-se na ilha de Creta e tiveram três filhos.

Poetas da Grécia Antiga passaram a chamar Europa aos territórios para lá da Grécia. E o historiador 
Hérodoto, no séc. V a.C foi o primeiro a chamar Europa a todo o continente.


.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de Maio


Recordar a Mãe no dia dos anos
Como ela era em 1912, com 12 anos





e dedicar-lhe Chopin






.
.

terça-feira, 4 de abril de 2017

4 de Abril


Lembrar a minha irmã

Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar    

Sophia de Melo Breyner

 

  Para quem aprendeu a nadar no mar da Póvoa de Varzim, bem podemos dizer que, de todos os prazeres , o maior era o mar!

 

..

segunda-feira, 27 de março de 2017

Andar para trás



Num casamento em 1961



O casamento era da Cândida com o Alexandre

Os quatro da fotografia eram amigos muito chegados de um ou de outro e eu era dos dois.

Quanto à toilette estávamos tranquilas, mas os homens iam de fraque! Assim sendo, 

tínhamos de levar chapéu. Para a "Aidinha " tudo a Mãe resolvia e pespegou-lhe com 

aquela "toque" , na minha opinião  horrorosa, mas era "muito moda".

Para a Graça, sempre sorridente, o chapéu era da Josefina, colega que casou entretanto 

com outro colega, Mário Queiroz de quem eu era muito amiga. Só que no próprio dia, o 

chapéu  ainda estava em casa da dona, nem mais nem menos que  na  Arrifana. 

E quem o traria ou quem o iria buscar? E como seria o chapéu?

Na hora de o usar nada disto se sabia. Resolveu-se, já não me lembro como e o chapéu era

 uma elegante "capeline"que ficava muito bem, como se pode comprovar.

Eu tive a sorte de uma amiga  de Farmácia e de Lisboa, as entendidas que ditavam a 

moda no Lar,  ter um "cloche" à minha medida  e ao meu gosto. De cor azul turquesa, 

exactamente igual à de um desenho discreto do vestido.  Portanto ficava a matar!!!!!!
Do fraque do Barbedo nada sei!

Recordo com muita saudade a Graça, a Josefina e o Mário.

--

quarta-feira, 22 de março de 2017



Mussorgsky Pictures at an Exhibition Mikhail Pletnev



Viktor Hartmann, arquiteto e pintor, grande amigo de Mussorgsky, faleceu cedo, aos 39 anos de idade (1873) . Em março de 1874, fizeram uma exposição dos seus quadros numa galeria de São Petersburgo. Depois de a visitar, Mussorgsky escolheu dez dos quadros expostos e compôs uma música para cada um deles, numa homenagem ao amigo. . Uniu através de um tema comum (“Promenade”) as várias partes da peça.
Em suma, Quadros de uma Exposição descreve através da música, um passeio por uma exposição de quadros, tendo os temas como guia.
estou a ouvir.....






 ..

FEMININO


São as ninfas
são as musas
as mulheres com o seu riso
As Dríades e as Nereides
Crineias nas suas fontes
e as mulheres despertando
Dentro do próprio sumiço
São as deusas, as sereias
enfeitiçando o cantar
as mulheres tecendo as teias
Penélope Euterpe Eurídice
de meiga pele ambarina
as mulheres correndo em busca
Na sua pressa felina
São sibilas, amazonas
profetisas, feiticeiras
as mulheres querendo voar
Com os espíritos femininos
valquírias de espada honrosa
de mulheres ousando o risco
Com alegria nervosa
São sílfides com voz de vento
são as ondinas nadando
seguindo a rota dos rios
As salamandras ardendo
de si mesmas sequiosas
Morgana com os seus filtros
De invenção harmoniosa
São adivinhas da água
sufragistas, feministas
na haste do pensamento
Renascendo com vagares
à sombra da própria seda
na chama rubra da tenda
São as mulheres do meu tempo
Mudando a eternidade
e a vida em seu sustento
sem jamais cicatrizarem
Os séculos de esquecimento

Maria Teresa Horta
In «Poemas do Brasil», 2009, Editora Brasiliense, S. Paulo (livro inédito em Portugal).

..

Andar para trás


Suspensas nas nuvens

África do Sul nas montanhas da Cidade do Cabo. 1959


        Enquanto os mais afoitos se fizeram á montanha da Mesa de teleférico, preferi o deslumbramento da magnífica paisagem da encosta e  praia da Cidade do Cabo.


..

quinta-feira, 16 de março de 2017

Servir frio


e chorar por mais...


 

Passo a explicar:

6 figos descascados cortados ao meio;
3 fatias de presunto fino;
1 colher de pinhões;
1 limão em sumo onde se dissolveu uma colher de sopa de mel.
Trata-se de uma entrada. Servir frio (e chorar por mais)
Demora 1/4 de hora a fazer.
(pode ser melhorado com umas farripas de chèvre)

receita cedida amavelmente por

 Luís Novaes Tito


..

Fauvistas



Esta manhã ouvi falar de Fauvistas. Os artistas "feras". Cores puras, excessivas, provocantes!


 Maurice de Vlaminck



Andre Derain
 


Matisse
 
 Mulher com chapeú


..

domingo, 12 de março de 2017

Numa Folha, Leve e Livre







Quero dormir na água das palavras
que amam o silêncio
e a lentidão da luz
que é o fulgor de uma evidência indecifrável

Quero ser a concha do ingénuo sossego
de uma flor branca
como o monótono murmúrio
de uma respiração solar

Quero ser o ouvido de veludo
de um insecto azul
e quero beber a linfa do olvido
numa boca de argila
para sentir a monotonia ardente
da garganta da terra


 António Ramos Rosa, Numa Folha, Leve e Livre (2013)
Fotografia de Manuel João Ferreira Múrias

.